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Planejamento é alternativa para diminuir custos
Ter, 04 de Janeiro de 2011 08:40

Se a questão do custo logístico do País (gerada por carências em rodovias, ferrovias, hidrovias e portos) não for solucionada, as empresas brasileiras terão que reduzir suas margens de lucro para competirem no mercado global.

O coordenador do grupo logístico e de transporte da Agenda 2020, Sérgio Coelho, defende que se faça um planejamento constante do setor de transportes para atenuar os problemas enfrentados.

Nesse segmento, o Brasil passa por um momento promissor, com o retorno de investimentos federais e dos estados na infraestrutura de transportes.

- A tendência é de permanência dessa situação, o que é muito bem-vindo devido aos tantos anos que passamos aplicando valores insuficientes nessa área - diz o integrante da Agenda 2020.

Somente a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), entre 2011 a 2014, prevê R$ 104,5 bilhões em investimentos no segmento de transportes. Somente em rodovias e ferrovias, serão em torno de R$ 92 bilhões.

O planejamento facilita a obtenção de verbas para a realização de obras, considera Coelho, que argumenta que os recursos podem ser oriundos do governo, por concessões ou através de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

- Mas não podemos simplesmente mais cruzar os braços como se essas necessidades não existissem - sustenta o dirigente.

Ele comenta que o aproveitamento de modais atualmente subutilizados, como é o caso das hidrovias, pode corrigir essas distorções. O Rio Grande do Sul, nessa perspectiva, apresenta condições muito favoráveis por contar com a Lagoa dos Patos e rios navegáveis em seu território.

O movimento Agenda 2020, que opera como uma espécie de grande consultoria para o Estado através de cerca de 350 voluntários de diversos setores da sociedade, desenvolveu um trabalho apontando as principais dificuldades que afetam a competitividade do Rio Grande do Sul.

No caso da hidrovia gaúcha, o levantamento indica a ausência de uma cultura multimodal, que estimule a concorrência e a complementariedade entre os diversos modais. A pesquisa aponta que, em 2008, as hidrovias tinham uma participação de apenas 3,6% na movimentação de cargas no Rio Grande do Sul.

- No que diz respeito às hidrovias, temos que sair do discurso para a prática - defende Coelho.

Ele lembra que há vários governos discute-se a multimodalidade, porém a situação não evolui do estágio de estudos. Ele sugere um plano contínuo de dragagens, melhoria dos portos, além de efetivar a navegação noturna nas hidrovias gaúchas.

Quanto ao modal rodoviário, Coelho enfatiza que as obras que estão sendo realizadas no Rio Grande do Sul chegam com mais de dez anos de atraso.

Segundo ele, isso significa um custo muito elevado para a sociedade. Dois empreendimentos importantes desse setor verificarão situações distintas em 2011. Enquanto a duplicação da BR-101 entre Torres e Osório estará concluída, a duplicação da BR-116 entre Eldorado e Pelotas deverá ser iniciada.

Quanto às rodovias estaduais, o destaque foi a inauguração neste mês de dezembro das obras do eixo norte da RSC-471, parte integrante do Programa Estruturante Duplica RS.

A RSC-471 será um importante eixo de ligação entre o norte do Estado, Planalto Médio e o Porto do Rio Grande, passando pelo Vale do Rio Pardo. A estrada proporciona uma redução de 110 quilômetros, se comparada ao antigo itinerário até o terminal portuário, diminuindo os custos relativos ao transporte, tanto para o deslocamento de insumos que chegam quanto à produção dessas regiões.

Sobre o modal ferroviário, Coelho salienta que em termos de custo-benefício é um dos mais eficientes quando se trata de transportes de grandes volumes, como o de commodities agrícolas e minérios.

Mas desde que houve a privatização da malha ferroviária gaúcha, não se discutiu a expansão das ferrovias.

- É preciso debater como realizar a integração com os outros estados - ressalta o coordenador do grupo logístico e de transporte da Agenda 2020.

Neste ano, o governo federal incluiu no PAC 2 recursos para realizar a Ferrovia da Integração do Sul do Brasil (Ferrosul). Foram R$ 9 milhões para fazer estudos de viabilidade sobre a extensão dos trilhos de São Paulo até o porto do Rio Grande.

A expectativa é de que a iniciativa tenha prosseguimento em 2011.

Fonte: Jornal do Comércio

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