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A Zero Hora publicou uma importante, mas triste, matéria do jornalista Marcelo Gonzatto, intitulada “Gaúchos têm menos aulas do que a média nacional” e, na chamada de abertura, “RS em desvantagem – pouco tempo na escola”. O texto informa que os estudantes do Ensino Fundamental e Médio ficam menos tempo na sala de aula (4,2 horas por dia) do que a média nacional, que é de 4,4 horas por dia, e, por isso, o Rio Grande do Sul ocupa o lamentável 14° lugar entre os estados brasileiros. Só em São Paulo, os alunos ficam 5 horas diariamente na sala de aula. Isso significa que, no final de um ano, o aluno gaúcho tem 800 horas-aula, enquanto o paulista tem 1.000 horas-aula; depois de 4 anos, o aluno paulista tem 800 horas a mais ou um ano sobre um aluno gaúcho. Multiplicados esses números por mais de um milhão de alunos, percebe-se que o atraso do Estado é cada vez maior.
Este fato, aliado a tragédias como as enchentes, a criminalidade, as mortes no trânsito, as drogas, consolida as perdas que o Estado há anos enfrenta, incluindo a queda na participação no PIB nacional: de 8% agora beira os 6%. Isso sem falar nas perdas na atividade agropecuária, na indústria, no comércio, na pesquisa e em muitas atividades humanas.
A desvantagem educacional reflete-se enormemente na vida profissional. Na hora da seleção e de recrutamento, pesa muito a universidade em que o candidato fez seu curso. Embora existam em solo gaúcho cursos de ponta e super bem avaliados, muitas de nossas universidades não têm o mesmo prestígio que outras, de diferentes lugares do Brasil.
Sei que existem, entre nós, percentuais elevadíssimos de educadores conscientes desses problemas, os quais trabalham muito para melhorar o nível da nossa educação. Sei também que as entidades de ensino, os segmentos importantes da classe política e as entidades de classe têm buscado, há muitas décadas, qualificar o ensino, mas infelizmente essas parcelas significativas da nossa sociedade não têm conseguido colocar no DNA do ensino do Rio Grande do Sul essa necessidade de melhoria em todos os níveis, de luta permanente.
Se não houver essa mudança nos níveis fundamental, médio e superior, vamos assistir a uma lamentável estagnação do ensino, além de ver os classificados pelo ENEM de outros estados ocuparem vagas que, ao natural, deveriam ser de alunos gaúchos. Em decorrência desse panorama negativo, ainda vamos presenciar a perda de nossa participação no PIB nacional e a piora do desempenho de nossos índices sociais, como o IDH.
Melhorar a qualidade de ensino é uma questão humana, envolve todos nós: alunos, pais, professores, governantes, classe política, entidades de classe e sindicatos. É dever de cada um a luta pela qualificação do ensino para que possamos atingir os altos patamares de excelência que sempre foram a marca registrada do Estado gaúcho.
Günther Staub - Publicitário
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