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A evolução da crise financeira global - e seus possíveis desdobramentos negativos na economia brasileira - somada à forte entrada de produtos manufaturados importados, deve seguir impactando nas intenções de investimentos do setor industrial gaúcho em 2012.
O diagnóstico foi feito nesta quarta-feira (11) pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Segundo pesquisa da instituição, 84,9% das empresas planejam investir menos do que em 2011, percentual menor do que em 2011, que era de 88,1%.
"O momento é de cautela, grande parte dos investimentos serão para terminar projetos já iniciados, uma vez que a concorrência com os importados retira fatias do mercado dos produtos fabricados no Brasil e muitas empresas operam com capacidade ociosa", afirmou o presidente da Fiergs, Heitor Müller.
Ainda conforme o levantamento, 85,6% dos industriais afirmaram que o fator potencial mais importante para impedir os investimentos é a incerteza com as consequências da turbulência econômica internacional. Um índice bem superior ao do ano passado, quando 63% dos entrevistados disseram que esse fator foi responsável pela não realização plena dos projetos.
Em 2011, 46% dos investimentos planejados foram realizados apenas parcialmente. Para 63% dos entrevistados, as dúvidas com os impactos da crise mundial em 2011 determinaram a não realização completa dos projetos.
Em nota, a Fiergs aponta que a busca da indústria gaúcha em 2012 será por ganhos de produtividade e redução de custos. Portanto, a melhoria do processo produtivo constituirá o principal objetivo dos investimentos planejados para 31% dos entrevistados, seguida da elevação da capacidade produtiva (28,2%).
Além disso, o foco das vendas ficará no mercado consumidor nacional (60,8%), enquanto apenas 2,4% indicaram outros países. Apesar do saldo comercial brasileiro de US$ 29,8 bilhões em 2011 ter sido o maior desde 2007, a indústria apresenta um resultado tímido.
"Muitas empresas estão com dificuldades de acessar o mercado internacional. Na prática, estamos perdendo a oportunidade de gerar renda e empregos", alertou Müller.
Em 2011, 46% dos investimentos planejados foram realizados apenas parcialmente. As dúvidas com os impactos da crise mundial em 2011 determinaram a não realização completa dos projetos, de acordo com 63% dos entrevistados. O segundo motivo apontado foi o custo do crédito e do financiamento (32,6%), seguindo pela reavaliação da demanda e pela ociosidade elevada (28,3%) e dificuldades de obtenção de mão de obra (28,3%).
Na tentativa de ganhar competitividade diante de seus concorrentes internacionais, os recursos da indústria gaúcha tiveram como finalidade elevar a produtividade através da melhoria do processo produtivo e a ampliar a capacidade da linha atual. Dos planos de investimentos de 2011, 68,8% focaram em novos projetos e 31,2% para continuação dos anteriores.
Motivos e riscos para não realização plena dos investimentos em 2011 e 2012 (%)

Fonte: FIERGS
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